Voltar Seu imóvel

A cidade, a moradia e o imaterial.

Apresentação·2 jun·6 min

Uma jornada entre o espaço público e o privado.

O que essa trajetória me ensinou sobre cidade — e sobre o que faz um lugar valer a pena.

Da Zona Norte aos Jardins: uma jornada entre o espaço público e o privado

Minha família tem raízes na Zona Norte de São Paulo — numa época em que boa parte daquela região ainda estava sendo construída, rua por rua, bairro por bairro. Cresci ouvindo histórias de uma cidade em formação. Talvez por isso nunca consegui olhar para um imóvel sem pensar na cidade ao redor dele.

Hoje vivo em Santana e trabalho com intermediação de imóveis de alto padrão na Coelho da Fonseca — principalmente na Zona Sul e Oeste, nos bairros que preservam o que considero essencial para morar bem: calçada que funciona, árvore na rua, comércio que você frequenta a pé, identidade construída ao longo do tempo. Sumaré, Vila Madalena, Jardins, Paraíso. Bairros onde ainda faz sentido andar — como, aliás, no meu bairro.

Mas esse olhar foi construído ao longo de uma jornada — e em lugares bem diferentes.

A cidade vista de dentro do Estado

Comecei na COHAB e na SEHAB — a Secretaria de Habitação de São Paulo, que na época estava instalada no que foi o primeiro arranha-céu da cidade, o Edifício Martinelli. Meus primeiros passos profissionais foram dando suporte à implementação de políticas habitacionais. Foram anos observando como as decisões do Estado chegam ao espaço construído: que bairro recebe infraestrutura, qual política é implementada e de que forma, qual rua vira prioridade, como a cidade cresce — ou deixa de crescer — a partir de escolhas que raramente aparecem no noticiário.

Essa experiência deu algo que carrego até hoje: a compreensão de que o valor de um imóvel não começa na planta. Começa na política pública que decidiu, anos antes, o que aquele entorno seria.

Cem projetos de espaços construídos — e o que eles ensinam

Esse início me levou para uma nova jornada — mais de vinte anos trabalhando com a preparação e transformação de espaços físicos para marcas e instituições. Mais de cem projetos: lojas conceito para marcas globais, exposições sensoriais, grandes estandes, cenografias, construções modulares e estruturas temporárias para hospitais de campanha e competições esportivas no Brasil e no exterior — incluindo os Jogos Pan-Americanos de Lima.

O que essas experiências me ensinaram é que o espaço é linguagem. Um ambiente bem construído e planejado comunica antes de qualquer palavra — gera confiança, pertencimento, intenção. Trabalhei também em projetos de comunicação voltados a comunidades onde informação confiável era escassa e o espaço físico precisava ser, ao mesmo tempo, funcional e humano. As variáveis são sempre as mesmas: materialidade, escala, luz, propósito.

Um imóvel não existe sozinho. Ele existe em uma rua, que existe em um bairro, que foi — ou não — pensado para quem vive nele. Entender isso muda completamente o que você procura quando busca um lugar para chamar de seu.

Requalificação imobiliária — e a transformação de uso e identidade

Uma das coisas que mais me interessa no mercado imobiliário atual é o potencial do estoque existente. São Paulo tem imóveis bem localizados — novos e antigos — que ainda não foram descobertos pelo mercado pelo que realmente valem. É exatamente aí que estão algumas das oportunidades mais interessantes disponíveis atualmente.

O que me orienta nesse início é justamente o repertório acumulado em ambientes construídos — e um interesse profundo em requalificação imobiliária: a prática de identificar um imóvel com potencial não realizado e transformá-lo com inteligência. Chamo de virada de espaço a abordagem que muda não só a aparência, mas o propósito e o caráter de um lugar — para que ele gere valor de experiência, não apenas de metro quadrado.

O mestrado — e por que pesquisar o que já vivo

Este ano também realizei um sonho — o ingresso no mestrado em Gestão e Políticas Públicas na FGV, com pesquisa em políticas urbanas, sistemas construtivos de baixo carbono e criação de identidade urbana através do espaço construído. A pergunta que me orienta: como fazer com que intervenções no espaço construído gerem pertencimento — e não apenas valorização?

A intermediação imobiliária, para mim, é o campo dessa pesquisa. É onde eu vejo, ao vivo, o que o mercado valoriza, o que ainda não descobriu, e onde existem as lacunas mais interessantes entre o que a cidade oferece e o que as pessoas precisam para morar bem de verdade.

O que você vai encontrar aqui

Este blog nasce de uma convicção simples: São Paulo é uma cidade fascinante e mal compreendida — inclusive por quem vive nela há décadas. A proposta é olhar para ela com atenção e sem pressa: arquitetura com identidade, bairros que funcionam e por quê, políticas que afetam diretamente a qualidade e o valor do lugar onde você mora, a arte e a cultura como termômetro do pulso urbano e mais.

Escrevo para quem toma decisões com repertório. Para quem quer entender o que está por trás do preço, da localização, da sensação de que certos lugares simplesmente funcionam. E para quem, como eu, acredita que morar bem é uma questão que merece ser pensada com seriedade — e com prazer. Mas não por impulso.

Da Zona Norte aos Jardins. São Paulo é uma cidade de muitas cidades — e quanto mais perspectivas você acumula, mais clareza tem sobre onde vale a pena estar.

Na próxima semana: o prédio da Oscar Freire — um edifício deteriorado na esquina de uma das ruas mais caras de São Paulo, e o conflito entre proprietários, arquitetos e quem ocupa o espaço.

ApresentaçãoPolíticas urbanasVirada de espaçoSão PauloAlto padrão
Thiago Marsicano
Thiago Marsicano
especialista em ambientes construídos, pesquisador urbano e intermediador de imóveis de alto padrão em São Paulo. Junho de 2026.
Próxima leitura
Olhar dos Bastidores

O prédio da Oscar Freire

Em preparação